“Mostramos a eles que, de 2012 a 2016, nada foi feito com o setor rural do Nordeste, principalmente em função desses cinco anos de seca. No Rio Grande do Sul, por exemplo, ocorreram enchentes e isso causou a prorrogação da dívida dos produtores de lá. Em MaToPiBa (Maranhão, Tocantins,
Zé Vieira cobrou mais atenção do governo federal para com o produtor rural nordestino, bem como para com a economia agrícola da região
Piauí, Bahia), grande celeiro de exploração de oportunidades, também houve prorrogação pela seca. Fomos cobrar isso ao governo. Entendemos que esses outros estados são importantes para a economia brasileira, mas não se pode deixar que o governo federal não tenha uma atenção conosco em cinco anos de seca no Nordeste”, disse Vieira, que demonstra o otimismo quanto ao interesse do governo federal em ajudar o Nordeste. “O governo está sensibilizado, e estamos na expectativa que a regulamentação do endividamento rural saia até a próxima semana. Na próxima reunião do Conselho Monetário, entrará em pauta o endividamento rural de 2012 a 2016. Este é o grande anseio dos produtores rurais: precisamos inseri-lo novamente na economia rural, o setor está completamente falido. Queremos uma nova política agrícola para o semi-árido. Causa uma revolta grande quando burocratas de Brasília, ministérios, e até a diretoria da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) tratam o Nordeste e o semi-árido, como se não fossem afetados pela seca e estivéssemos em uma situação completamente normal”, complementou.
Além da reunião com o governo, a FAERN também se encontrou com a direção nacional do Banco Nacional do Nordeste. Zé Vieira explicou o conteúdo da reunião: “Fomos dar continuidade a uma parceria que temos feito com o Banco e mostrar uma ideia que tivemos, para que assim que sair a regulamentação, os produtores possam fazer imediatamente suas renegociações sem maiores burocracia. A Confederação Nacional da Agricultura desenvolve uma cartilha e um simulador e fomos mostrar isso a eles. Funciona assim: o produtor tem uma cédula rural, e ao invés de ir ao banco, ele vem ao nosso sindicato e faz uma simulação de quanto vai ficar sua dívida para saber quanto vai precisar pagar. Muitas vezes os produtores iam ao banco e não tinham acesso sequer ao extrato da dívida. Queremos de forma propositiva e transparente ajudar o produtor do Nordeste, para que ele possa optar entre liquidar ou renegociar. Esse é um avanço extraordinário e o Banco achou tudo isso muito interessante”, contou.
Agora RN
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