Novo - Um total de 3.769 jovens com idades entre 12 e 29 anos foram assassinados entre 2012 e 2015 no Rio Grande do Norte. Os números são do livro “Metadados 2016: Juventude Potiguar”, elaborado pelo professor Ivenio Hermes, coordenador de Informações Estatísticas e Análises Criminais (COINE) da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social.
O livro será lançado amanhã, durante reunião da Câmara Técnica de Mapeamento de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs), mas o NOVO antecipa os números neste domingo. A maior parte desses CVLIs, de acordo com a pesquisa, acontece em via pública. Além disso, 2.062 do total desses crimes ocorreu em ruas, avenidas, travessas e vielas, uma média de 3 jovens mortos no meio da rua a cada dois dias.
O livro é resultado de uma pesquisa realizada com bases estatísticas, que compreende o recorte histórico entre 2012 a 2015 e traça um perfil dos jovens mortos no RN. “Não podemos deixar de mencionar que esse livro é o primeiro de três obras e que ele reflete o melhor da pesquisa em segurança pública”, ressalta Ivenio Hermes, coordenador da Coine.
De acordo como Estatuto, os adolescentes mais vítimas são as pessoas que têm entre 12 e 14 anos; entre os jovens-adolescentes, aqueles entre 15 e 18; jovens-jovens pessoas com idades entre 19 e 24 anos e jovens-adultos entre 25 e 29 anos de idade. Do total de assassinados, 1.741 tinha entre 19 e 24 anos. É a faixa etária que mais morre vítima de violência.
O prefácio da obra lembra a história de Ronaldo Cordeiro de Morais, o jovem de 18 anos de idade que ganhou fama depois de ter um vídeo divulgado na internet. Na ocasião, Ronaldo ficando conhecido pelo bordão “Que onda é essa?”. O Metadados 2016 traz Ronaldo em sua abertura porque o rapaz, que foi morto a tiros em 23 de janeiro deste ano, é uma das ilustrações do perfil dos demais jovens assassinados no Rio Grande do Norte.
No que diz respeito à etnia, por exemplo, são os pardos, assim como Ronaldo, os mais atingidos. Segundo a pesquisa, 1.685 pardos foram assassinados entre 2012 e 2015. A população negra vem em aparece lugar, com 1.449 casos registrados no mesmo período, e a branca em terceiro, com 633. A maior parte das vítimas é homem, assim como Ronaldo. Da totalidade de 3.769 CVLIs de jovens, 3.575 aconteceu contra pessoas do sexo masculino. Foram 194 mulheres mortas no período.
Durante muito tempo de sua vida, Ronaldo Cordeiro de Morais se enquadrou em mais uma das categorias mais atingidas pelos CVLIs. Ele não exercia atividade remunerada. São os desempregados que, no que concerne à ocupação, estão entre as vítimas mais recorrentes.
Segundo mostra a publicação da metadados 2016, 901 das pessoas assassinadas entre 2012 e 2015 não tinham emprego. Ronaldo, já perto da morte, tornou-se vendedor ambulante, comercializava ginga e tapioca na praia.
A profissão de vendedor ambulante é, coincidentemente, uma das que possui menos representantes entre as vítimas dos Crimes Violentos Letais Intencionais. Foram 25 no período estudado.
A maioria das vítimas que recebia algum salário tinha como teto dois salários mínimos (R$ 1.576). São 819 casos, de acordo com os registros do Metadados 2016. As que recebiam até um salário mínimo representam 702 do total. Pessoas pobres, assim como Ronaldo de Morais.
Uma das poucas categorias nas quais o jovem “Que onda é essa?” não se enquadra entre no perfil das mais atingidas é o estado civil. A maioria das vítimas de CVLIs entre as estudadas pelo Metadados 2016 era de solteiros. Ronaldo mantinha uma união estável. Deixou a companheira Francimeire e a pequena Ariane, que nem tem um ano de idade, órfã de pai.
Capital concentra maioria das mortes
A publicação do livro Metadados 2016 também georreferência os Crimes Violentos Letais Intencionais contra jovens ocorridos no Rio Grande do Norte. De acordo com a pesquisa, 65% das ocorrências foram registradas na mesorregião Leste do estado. É a região onde fica a capital potiguar.
Natal concentra 1.349 do total de 2.462 crimes contra jovens praticadas entre 2012 e 2015. Ou seja, mais da metade dos crimes na região Leste do Estado acontece em Natal. Se forem levados em consideração os números absolutos de CVLI no período estudado (3.769), a capital detém 35,8% dos casos.
A mesorregião Oeste está em segundo no ranking de registro de CVLIs, compreendendo 22% do total. São 835 CVLIs, dos quais 439 aconteceram na cidade de Mossoró, também atingindo mais da metade na região onde está situada.
Além de Natal e Mossoró, Parnamirim completa a lista dos municípios que, de acordo com a pesquisa, são responsáveis por impulsionar esses índices. As três cidades juntas representam mais da metade dos CVLIs cometidos no Rio Grande do Norte.
O estudo aponta que a maioria dos crimes desta natureza ocorre em regiões metropolitanas ou urbanas. A primeira atinge 2.367 CVLIs e a segunda 991.
O estudo da densidade populacional dos lugares onde são registrados os Crimes Violentos Letais Intencionais, os assassinatos se concentram nas regiões mais populosas do RN. Mais especificamente, os municípios que detêm as maiores populações são também os que apresentam os índices mais elevados.
Publicação é fruto de pesquisas aprofundadas sobre CVLIs
O livro que contém as informações das mortes matadas contra jovens no Rio Grande do Norte será lançado nesta segunda-feira, durante uma sessão solene da Câmara de Mapeamento de CVLIs, com participação de representantes do Estado.
Ivenio Hermes, que produziu a pesquisa com auxílio de colaboradores, é pesquisador e consultor em políticas públicas para a segurança, e tem mais de 10 livros publicados, sendo a maioria nesta área de conhecimento.
Zonas Norte e Oeste lideram casos em Natal
A pesquisa Metadados 2016 traz informações específicas dos bairros mais atingidos pelos CVLIs. Em Natal, esses Crimes Violentos têm como localidade de maior incidência o bairro de Nossa Senhora da Apresentação, na Zona Norte. Por lá, foram contabilizados 175 CVLIs dos 1.349 ocorridos em Natal.
Em seguida aparece o bairro de Felipe Camarão, na Zona Oeste, com 145 casos. O próximo bairro da lista é Lagoa Azul, também na ZN. Lá foram 117 Crimes Violentos Letais Intencionais.
Entre os jovens vitimados na capital, a maior parcela, acompanhando a média estadual, tinha entre 19 e 24 anos de idade. Ao todo, 643 jovens desta faixa etária morreram assassinados no período ao qual corresponde a pesquisa.
Para Mossoró, o estudo indica que o bairro mais atingido é o de Santo Antônio, com 81 registros entre 2012 e 2015. Um fato curioso sobre o município e que não é comum aos dados gerais do estudo diz respeito à segunda localidade em que mais se registra os crimes: a zona rural.
Em Mossoró, 49 casos de mortes matadas de jovens foram registrados na zona rural da cidade durante o período pesquisado.
Parnamirim, terceira cidade mais violenta no que toca aos CVLIs, tem a maioria dos casos registrados no bairro de Bela Parnamirim. Foram 36 registros. Passagem de Areia aparece logo em seguida com 33.
CVLI por Mesorregiões do RN
Leste: 2.462 - (65%)
Oeste: 835 - (22%)
Agreste: 295 - (8%)
Central: 179 - (5%)
Natal: 1.349 - (35,8% do total)
Mossoró: 439 - (11,6% do total)
Parnamirim: 306 - (8,1% do total)
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