POR NETO QUEIROZ-Os gastos com a educação subiram mais do que a inflação dos alimentos neste começo de ano. As famílias estão cortando onde podem para manter o que é fundamental. Mas nem sempre é possível. Está crescendo o movimento de pais que estão trocando as os filhos de escola. Escolas estão enviando boletos para a casa dos pais com um reajuste de até 14%. Por isso, pais estão levando em conta a opção de escolas públicas ou particulares com mensalidades mais baixas.
Essa conta mais cara já tem reflexos na inflação. Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas mostrou que só em um mês os gastos com educação, leitura e recreação subiram 3%. Foi o que mais pesou na inflação do período. Mais que alimentação, transportes ou habitação.
Como o levantamento foi feito entre o meio de dezembro e o dia 15 de janeiro, metade das escolas pesquisadas ainda não tinha feito o reajuste anual das mensalidades. Por isso, os economistas acreditam que o impacto dos gastos com educação deve ser maior. O aumento deve ficar entre 10,5% e 11% este ano. Maior que no ano passado.
O consultor Humberto Veiga diz que, como os trabalhadores estão com salários achatados, os altos custos da educação podem levar a um crescimento da inadimplência escolar e até reverter um movimento que aconteceu nos últimos anos. “Você teve uma possibilidade de mudança dos alunos das classes médias que vieram com o surgimento, com o aumento da classe média, que vieram das escolas públicas para escolas privadas, e você pode ter um retorno desses alunos para as escolas públicas”, afirma o consultor.
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