Comunidade De Miranda

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

RN permanece em vantagem na disputa por hub da Latam

“Falácia, balela”. Foram essas algumas das palavras usadas pelo secretário de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Norte, Flávio Azevedo, para classificar o anúncio, feito por um senador pernambucano na semana passada, de que o governo federal vai ceder a área ocupada pelo II Comando Aeronáutico de Recife à administração do aeroporto internacional  Gilberto Freyre.

Nesta semana foi a vez de o Ceará anunciar que parte da área militar do aeroporto de Fortaleza, Pinto Martins, entrará no plano de concessão junto com o terminal. As medidas do governo federal beneficiariam, na visão de algumas autoridades que acompanham o assunto, Pernambuco e Ceará na concorrência com Rio Grande do Norte pelo hub – centro de conexões de vôos e passageiros – do grupo Latam. A disputa envolve nada menos que
a geração e 10 mil empregos diretos e indiretos, num investimento de quase R$ 6 bilhões na cidade escolhida como sede, já a partir de 2016.

Se o anúncio é um factóide para o secretário de Desenvolvimento Econômico, o professor Carlos Alberto Medeiros, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte afirma que já era algo esperado. Entretanto, ele defende que a notícia não tira qualquer vantagem técnica de Natal sobre os concorrentes e garante apenas a permanência dos demais na disputa.

Ao longo das últimas duas semanas, a concorrência pelo investimento privado voltou com maior força à pauta das autoridades e da imprensa dos estados nordestinos. Jornais de Pernambuco e Ceará passaram a divulgar informações que supostamente trariam maior vantagem aos respectivos estados. Até mesmo uma pesquisa Ibope com a opinião da população (e que não contou com a participação de Natal). Já o governo do Rio Grande do Norte mantém segredo sobre seus movimentos e propostas na busca pelo investimento. Apesar disso, o secretário de Turismo, Ruy Gaspar, acredita que já passou da hora de o estado também atacar politicamente, através da bancada federal. “Também devemos exigir algum apoio do governo federal”, analisa.

Flávio Azevedo, citado no início da reportagem, afirma que a declaração do senador Humberto Costa (PT/ PE) “distorceu”, no mínimo, alguma declaração da presidente Dilma Rousseff. “Se partirmos do pressuposto que seja verdade, já imaginou quanto tempo levaria para que isso pudesse acontecer? É um comando militar que não vai sumir do mapa, teria que ser levado para outro local. Isso custaria muito dinheiro e levaria de cinco a dez anos. A TAM quer instalar o hub no próximo ano”, argumentou.

A reportagem entrou em contato com a assessoria da Presidência da República para confirmar o fato, mas não recebeu resposta até o fechamento da reportagem.

O professor Carlos Alberto Medeiros afirma que essas áreas militares eram uma exigência da companhia feita aos dois estados, que não tinham espaço suficiente para expansão dos terminais - “assim como pediram algumas adequações no aeroporto de Natal e a Inframérica vai fazer”, coloca. “Sem essas áreas, eles já estariam fora. Era a única saída para eles”, acrescenta. O professor ainda atenta para o fato de grande parte das operações dessas áreas militares terem sido transferidas para o aeroporto Augusto Severo, em Parnamirim, localizado na base aérea de Natal, que não divide espaço com o aeroporto de São Gonçalo do Amarante.

Infraestrutura aeroportuária e QAV são diferenciais do RN

Carlos Alberto ainda defende que a comemoração dos concorrentes quanto à cessão das áreas militares é fruto de ansiedade que permeia o assunto. Para ele, que leciona Logística, o Rio Grande do Norte conta com o aeroporto com a melhor infraestrutura, área (bem maior que a dos demais) e localização para a instalação de um hub. “Eles teriam uma grande vantagem de custo em Natal. Isso é muito importante para as companhias porque a margem de lucro delas não é tão grande. É um aeroporto muito bom para a TAM deixar para a concorrência”, coloca. Isso porque, segundo o professor, em não vindo a empresa, outras, estrangeiras ou nacionais, se instarão aqui. O especialista ainda acredita que a maior disputa esteja entre Natal e Recife, pois Fortaleza estaria fora da rota inicial. “Um professor da nossa universidade calculou que os gastos ampliariam cerca de 2% a 3%. Isso é quase a margem de lucro da companhia, que não são altas, como se imagina”, explica.

O secretário de Tributação do RN, André Horta, prefere não divulgar quais serão as últimas propostas de isenção ou incentivo fiscal apresentadas à Latam na reunião que já é prevista, mas ainda não foi agendada, entre companhia e estado. Para ele, apesar de esse ser um assunto relevante, a tributação não é crucial, porque todos os estados possuem as mesmas possibilidades legais. O grande diferencial potiguar, a seu ver, é a produção própria do QAV (querosene de aviação), sobre a qual o estado tem taxação, inclusive no transporte. A produção ocorre em Guamaré. Além de ser perto, a 170 quilômetros de Natal, o produto tem isenção de ICMS do transporte dentro do estado (ele é taxado ao deixar os limites da unidade da federação). O governo pleiteia junto à Petrobrás a redução do preço praticado dentro do RN, devido a esses fatores. “No varejo, que é a maior parte da tributação, todos os estados têm condições iguais. Na logística, eles têm uma nota nove. E nisso nós somos 10”, disse.
Novo Jornal.

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